O que quer se expressar por meio de você?
A criatividade pertence a todos nós — e, às vezes, revela partes de nós que as palavras, sozinhas, não conseguem alcançar. Algumas partes de nós são mais fáceis de expressar por meio de algo que criamos do que em uma conversa comum. Um sentimento pode encontrar seu caminho em uma música. Algo que não conseguimos nomear muito bem pode ganhar forma em uma cor ou na argila. Nosso corpo pode dizer, por meio do movimento, algo que as palavras não conseguiriam dizer da mesma maneira.
A criatividade é uma das formas pelas quais tornamos mais de nós mesmos visível.
E a criatividade pertence a todos nós.
Às vezes pensamos na criatividade como um dom especial de artistas, músicos, dançarinos ou escritores. Mas acredito que ela seja muito mais ampla do que isso. A criatividade está presente sempre que trazemos ao mundo algo que é singularmente nosso — quando criamos, imaginamos, improvisamos, resolvemos, expressamos ou encontramos uma nova maneira de fazer alguma coisa.
Em nossa comunidade, a criatividade assume formas maravilhosamente diversas. Algumas pessoas tocam piano, pintam, fazem cerâmica ou dançam. Outras cozinham, cuidam do jardim, tiram fotografias, cantam, costuram, constroem coisas, contam histórias, decoram suas casas, criam seus filhos ou encontram soluções criativas para problemas.
Para mim, a criatividade também ganha vida ao escrever poesia e praticar a arte marcial Kajukenbo. Por meio dessa arte marcial, meu corpo expressa fluidez, graça, precisão, presença e força.
E também vivencio a criatividade no ACL — ao imaginar o que pode ajudar as pessoas a se conectarem mais profundamente, desenvolver novos exercícios e meditações, encontrar palavras para experiências difíceis de nomear e responder ao ser humano único que está diante de mim. Nossas interações mais significativas não podem seguir um roteiro. Nós as criamos juntos.
Talvez essa seja uma das razões pelas quais a expressão criativa importa tanto. Ela dá a partes de nós um lugar para onde ir. Pode revelar sentimentos e pensamentos que não sabíamos que estavam esperando para ser expressos. Pode nos ajudar a descobrir o que nos encanta, o que nos toca ou o que sentimos ser, inequivocamente, nosso.
O convite não é para ser bom em alguma coisa. O resultado final pode ser bonito, desajeitado, inacabado ou privado. Seu valor pode estar no que acontece enquanto você o cria — e no que você descobre sobre si mesmo ao longo do caminho.
Reserve alguns instantes para refletir:
- Onde a criatividade já aparece em sua vida, talvez sem que você a tenha reconhecido como criatividade?
- Existe alguma parte de você que vem querendo se expressar, mas ainda não encontrou uma voz, um movimento, uma cor, uma forma ou um lugar para onde ir?
- O que poderia se tornar possível se você se permitisse criar alguma coisa simplesmente porque ela lhe parece viva ou significativa?
- De que maneira compartilhar algo que você criou poderia permitir que outra pessoa visse, conhecesse ou compreendesse você de uma forma diferente?
- O que é singularmente seu para oferecer ao mundo?
Talvez nossa criatividade não seja apenas algo que expressamos. Ela é uma das maneiras pelas quais descobrimos quem somos — e oferecemos nossos dons singulares uns aos outros e ao mundo.